sábado, 10 de novembro de 2007

ANOITECER

Anoitece. Expulsos pelo chão, pilares surdem. Presos a eles um tentáculo de ferro segura em sua ponta um globo de luz laranjada que, espalhadas pelo caminho, iluminam-no e faz com que o caminho, a parede: tudo se torne uma coisa só. Assim, aquilo que não se deixava envolver pela luz do globo, já não pertencia mais àquele lugar, como se houvesse sido engolido pela escuridão e que agora não passava de um esboço na noite.
Todos sumiram e as entradas se fecharam. Era como se tudo tivesse sido deixado para trás, abandonado. Era como se o tempo tivesse parado.
O silêncio seguia meus passos e cada pensamento era um grito na calada noite. Assim como cada folha arrastada pelo vento sugeria os passos de alguém que me seguia.
Na noite os olhares se dirigiam para todos os cantos. Estava certo de estar em um outro lugar, pois sempre algo novo aparecia, mas no final percebia que sempre estivera lá.
A escuridão da noite me mostrava as coisas que durante a luz do dia não podia enxergar.