segunda-feira, 19 de novembro de 2007

TEIA



O céu ficou nublado. A noite ficou ainda mais escura. Um emaranhado de fios corria e trançavam o alto do corredor de paredes passando pelos pilares. Formavam uma cobertura de fios, ou ainda, teias. Mas, teias? – pensava tentando não me desesperar – Não, é impossível aquilo ser obra de uma aranha, visto que o diâmetro daqueles fios e o tamanho da teia eram muito grandes para uma aranha normal. Mas podia ser de outra criatura...
Olhando à frente e ao alto, fiquei curioso para saber onde aquilo acabava, mas me surpreendi ao saber que se seguia pelo caminho todo. Ainda no alto, um olho vermelho, um único olho, acendeu no meio daquela escuridão. Olho estático me observava esperando um único deslize. Estático, tentava pensar em alguma coisa, mas naquela hora, parecia uma mosca lutando em vão para ser morta. Corri para longe dali, sem ter a curiosidade de saber o que era, pois possivelmente seria a última coisa que veria. E quando olhava pra trás, parecia que mais surgiam, sempre mantendo uma mesma distância entre eles.
Claro! – pensava enquanto meu coração disparava em minhas pernas – Agora tudo faz sentido! É por medo que todos abandonam este lugar na noite!
Corri então até aquele espaço livre, onde tinha o piso que flutuava, para me esconder. Quando descia as escadas, o chão parecia fugir de meus paços, e em um tropeço, rolei escada abaixo e, tentando depois me equilibrar, cai, batendo fortemente com a cabeça na quina do piso que flutuava. Desacordado, o vermelho tomou conta do chão escuro.