Entardecia. Já não agüentava mais. Parecia voltar sempre para o mesmo lugar. Qualquer que seja o caminho que seguisse me levaria sempre para um mesmo corredor de paredes e portas, que não levavam a lugar nenhum. Até que então fui surpreendido: surgira ali, bem na minha frente, tomando o lugar de algumas paredes naquele corredor: uma saída, um vazio. Claro, não era um vazio completo; havia árvores, bancos, e algumas pessoas paradas, e outras passando por lá, digo “vazio” porque era um espaço livre em meio à tudo aquilo que parecia querer se aproveitar de todo o espaço útil ali existente.
Uma escada descia em direção a um lugar mais a baixo onde lá havia um piso que flutuava no centro, onde as escadas paravam de andar. Nele uma pequena cobertura, curvada para cima em sua extremidade, tornava aquilo muito diferente de tudo que eu havia visto até ali.
Ao lado um outro espaço livre existia. Com uma grande construção no seu centro, que também diferenciava tudo o que tinha visto até ali. Parecia não pertencer àquele lugar. Era enorme, com janelas redondas e triangulares coloridas ao seu entorno, duas torres pontiagudas na sua extremidade nas quais havia um relógio. Por dentro seu tamanho parecia ainda maior, fazia parecer tão insignificante a minha presença ali.
Era estranho porque apesar de os espaços se pertencerem, parecia o contrário, como se separassem, como se fosse outro lugar.
Comecei a perceber as pessoas que passavam ali por fora e as que estavam paradas. As que andavam pelos caminhos sem parar, correndo contra os ponteiros do relógio daquelas enormes torres, pareciam estar com tanta pressa que nem percebiam aqueles lugares, como se eles tomassem a posição daquela enorme construção que acabara de sair, como se tudo ao redor delas fosse insignificante.
Ao contrário da pressa, outras pessoas ali mesmo naquele vazio estavam ali paradas, ou mesmo deitadas. Algumas estavam apenas descansando para continuar a correr, mas outras, em minoria, estavam lá porque lá era o lugar delas, deitavam ali no chão mesmo, como se lá fosse a casa deles, e era. Pensava então, que estas que viviam naquele local, já haviam encontrado aquilo que as que corriam procuravam uma vez, ou mesmo perceberam que, o que as outras buscavam não passava de mera ilusão, pois estavam lá por causa dela.
Percebi que o vazio não estava ali, mas sim, em todo o lugar. Não o vazio do espaço, mas sim o vazio da mente.
Depois daquilo, o corredor de paredes continuou novamente.